“Acima de tudo, não minta para si mesmo. O homem que mente para si mesmo e escuta sua própria mentira chega a um ponto em que não consegue mais distinguir a verdade dentro de si, nem ao seu redor, e assim perde todo o respeito por si mesmo e pelos outros. E, sem respeito, ele deixa de amar.” ― Fyodor Dostoevsky
Para mentir a si mesmo, você precisa no mínimo uma noção de qual é a verdade. O ato de mentir presume isso.
Mentir para si mesmo é uma das maiores formas de traição. Você está ali vendo e mesmo com a sensação de culpa segue em frente e se força a acreditar em uma ideia falsa.
O perigo mora em continuar mentindo para si mesmo. Essa repetição te torna cada vez menos sensível à verdade, e de repente, tudo parece subjetivo, pois você pode moldar “a verdade” de acordo com o seu desejo. Isso te permite justificar qualquer comportamento, pois você pode usar a retórica para colocar até um ato de maldade como bom.
É isso que enxergo acontecer no âmbito do direito. Advogados conseguem, se assim quiserem, através da retórica, colocar o errado como certo e convencer todos de que aquilo é verdade.
Isso torna a verdade uma questão de interesse.
Também observo no domínio da política. Se você se sentar para ouvir uma pessoa de esquerda e uma de direita, com a mente aberta, e por tempo o suficiente, pode passar a enxergar verdade em algo que antes não te fazia o mínimo sentido.
E olhe só o que isso trouxe ao país.
A verdade existe. Se não existisse, não haveria senso comum. Todos, no fundo do peito, sentem quando algo é certo e quando é errado. Temos uma bússola interna que nos indica. Alguns têm essa bússola quebrada, mas a maioria não.
Olhar para os fatos, as leis da natureza e ter uma boa intenção de curiosidade ao refletir sobre qualquer coisa são os fatores que te levam para perto da verdade.
Mas trazendo isso para o lado pessoal: Ao mentir para si mesmo consecutivamente, você se torna indulgente, cínico, desrespeitoso consigo e outros, e talvez até maquiavélico.
Você passa a poder colocar péssimos hábitos e comportamentos como bons. Passa a poder fingir acreditar em algo apenas em benefício próprio. Passa a tratar a si mesmo e outros com insignificância. E como eu disse, talvez acabe se tornando mau por acabar acreditando numa ideologia maquiavélica.
Jordan Peterson definiu isso como a oitava regra em seu livro. Conte a verdade, ou pelo menos não minta. E ele não poderia estar mais certo.
Não se permita cair numa situação onde você tenha que mentir. Seja transparente consigo mesmo no secreto. Conte a verdade, quando te for demandada — e isso não é ser rude, é temer mais o estrago da mentira que o do desagrado.
Isso não te trará uma vida mais fácil, mas trará uma vida livre de inúmeros fardos, uma vida significante, honrosa e satisfatória.


